domingo, 19 de outubro de 2008

“Aspirai os dons mais altos”
(1Cor 12, 31)

“Aspirai os dons mais altos”, com esta afirmação queremos começar esta meditação contigo meu irmão e minha irmã, amado ministério. Aqui neste pequeno texto, mas tão significativo de São Paulo a comunidade de Corinto, ele quer nos redirecionar a um novo caminho apresentado pelo Cristo, que ultrapassa a todos os outros até então indicados, a CARIDADE. Este último versículo do 12º. capítulo da 1ª. carta aos Coríntios, antecipa o mais famoso e mais autêntico hino à caridade narrado por São Paulo (cf. 1Cor 13).

“Aspirai os dons mais altos”

Este novo caminho revolucionário apresentado pelo Apóstolo reproduz de uma maneira nova e verdadeira tudo aquilo que o Senhor Jesus já havia anunciado. O mandamento de AMAR A DEUS E AO PRÓXIMO como o maior preceito da lei, colocando-os em planos iguais, pois o encontro com o amor a Deus passa pelo Amor ao próximo.

“Como dizer Senhor te amo, sem mesmo vê-lo. E ser incapaz de amar o outro que está ao lado e se pode ver. O que não ama, não conhece a Deus, por que Deus é amor”, cantamos, inspirados no texto de 1 Jo 4, “o amar ao próximo é inseparável do amor a Deus” (CIC 1878). Somos vocacionados ao amor, temos necessidade de amar e ser amados por Deus e este amor se refletirá naquilo que o Papa João Paulo II chama de “Escola de Comunhão”, que todos nós somos imediatamente inscritos pelo nosso batismo, que a nossa comunidade é chamada a viver intensamente. E este ministério deve ser uma ESCOLA DE CARIDADE, onde nós exercemos nosso ministério da caridade, do amor fraterno.

Nisto consiste então a revolução Cristã da caridade: o que era visto de maneira simplesmente vertical agora passa a ter uma face horizontal, como num grande abraço, pois “a caridade não tem fronteiras. Se há fronteiras, não existe caridade”, nos ensina o Cardeal Van Thuan, em seu livro, “Cinco Pães e dois Peixes”, em que narra sua experiência de exilado no Vietnã por 13 anos pelos comunistas.

“Não é cristão – meus amigos – dar como alguém que faz um favor, como quem dá de cima para baixo sentindo-se superior. Aquele a quem se dá é uma pessoa: de pessoa a pessoa. Quem dá e quem recebe tem a mesma dignidade na caridade. Deste modo, quem dá a si, recebe; e quem recebe a si também dá”, nos ensina Madre Tereza de Calcutá, e que nos diz ainda, “O IMPORTANTE NÃO É O NÚMERO DE AÇÕES QUE FAZEMOS, MAIS A INTENSIDADE DO AMOR (DA CARIDADE) QUE COLOCAMOS EM TODO A AÇÃO”. O Amor é à base de tudo. É o amor que nos faz exercer uma total entrega de si pelo outro, pois a caridade sem martírio, sem entrega de si, é nula. E o martírio sem caridade, também é nulo.

“Aspirai os dons mais altos”

Por isso, quando estamos ministrando um momento de louvor, pregando, conduzindo um momento de adoração, de formação, antes de tudo, estamos dando algo que nos foi dado desde todo sempre por Deus, e por isso, não podemos ver a comunidade com um grande auditório, mas uma comunidade de irmãos em que com todo amor e ardor somos convidados a auxiliar em mais um dos seus momentos de encontro pessoal com Deus, e por meio deles, também nós, irmos ao encontro com o Senhor ressuscitado.

Empenhemo-nos em fazer de nossa vida, de nossa família; de nosso ministério; de nossa comunidade paroquial; de todos os nossos momentos uma escola de Amor, de comunhão, de caridade. Onde Amar, seja à base de todas as ações. Amar seja o caminho de cada decisão a ser tomada. De cada sim e cada não a ser dado. Para maior glória daquele que é sem dúvida, nosso maior exemplo de Amor incondicional a alguém, e onde este alguém é cada um de nós; JESUS CRISTO.

“Aspirai os dons mais altos”

segunda-feira, 13 de outubro de 2008


“Cumprir nossa missão não é tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã (...).”
(DA 144)

Caros irmãos e irmãs, este mês de outubro, é para a Igreja inteira um período muito especial, pois, celebramos o mês missionário, mais especificamente,o mês em que dedicamos de maneira mais intensa as nossas orações por todos os missionários, ou seja, por todos os que estão se aventurando de maneira muito mais específica em Deus, dedicando suas vidas pelo Reino de Deus. Porém, é um mês também de conscientização, de que todos nós somos parte deste Corpo Missionário, que é a essência de toda a Igreja; ou seja, TODOS NÓS SOMOS, pelo Batismo, somos MISSIONÁRIOS.

“Ao chamar os seus para que o siga, Jesus lhes dá uma missão muito precisa: anunciar o evangelho do Reino a todas as nações. Por isso, todo discípulo é missionário, pois Jesus o faz partícipe de sua missão, ao mesmo tempo em que o vincula a Ele como amigo e irmão.

Dessa maneira, como Ele é testemunha da missão do Pai, assim os discípulos são testemunhas da morte e ressurreição do Senhor até que ele retorne. Cumprir essa missão não é tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã (...).” (DA 144)

Com este texto, conseguimos compreender, de maneira mais clara, toda a proposta do Documento da Conferência Episcopal Latino-Americana, em Aparecida do Norte, ano passado, onde impulsionada pelas palavras do Papa Bento XVI, refletir sobre a verdade de sermos DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS de Jesus Cristo. Não mais a compreensão de que somos isso ou aquilo, mas que o Cristão, por essência Batismal, é Discípulo missionário, por vocação cristã. Com isso, ser MISSIONÁRIO, não é uma opção, mas um dever!

A Igreja está em constante Discipulado Missionário. Uma vez nascida na Páscoa, segundo a suprema vontade de Deus, e pela ação do Espírito Santo, sendo fruto do sacrifício de Cristo na Cruz, nascerá a como missionária a partir da fé em Cristo ressuscitado (Cf At 1-2). Desde o início da Igreja, a comunidade cristã compreende que sua razão de ser e a sua dedicação primordial não é outra senão, a de estar ao serviço do Reino de Deus. E o projeto de Deus é constituir uma família de toda a humanidade.

Com isso, a Igreja, essencialmente missionária, será sempre instrumento do Reino de Deus, e se vê num mistério de Comunhão, agindo e manifestando-se como tal, se faz instrumento para a união de todo o gênero humano. (Lumen Gentium 1, 4-5).

Poderíamos assim nos perguntar: Como nasceu a Igreja? Responderíamos então: A Igreja nasceu do discipulado convocado pelo Mestre. Por isso, os discípulos, como Igreja nascente, aprenderam a missão na própria vida, seja por este contato tão próximo com Jesus, seja nos seu impulso ocorrido após Pentecostes, e assim se forjaram Apóstolos, e assim uma Igreja, missionária, enviados por Jesus com a força do Espírito Santo (Cf Jo 20, 21-22).

A Igreja, até hoje e sempre, vive em discipulado missionário, por ter compreendido que recebeu o Evangelho com amor fiel. A fidelidade a seu ser missionário, pela sua própria identidade, e cheia de humanidade e de Deus, que leva a comunidade dos discípulos de Jesus a cabo desta ação missionária e renovadora das vidas e da humanidade.
Assim, passamos a compreender que a Igreja inteira é uma comunidade missionária para a humanidade e para o Reino de Deus, e permanentemente se recria neste discipulado de Jesus; acolhe a Palavra, medita-a, e desta maneira comunica a vida nova dada por Deus.
O que mais precisamos compreende é que o espaço da missão está até hoje em dia tão forte e necessário, que precisamos nos levantar em prol do reino para vivermos esta vocação batismal que falamos anteriormente, anunciando mudanças imediatas neste mundo em transição acelerada e inovadora, onde ainda continua se realizando o plano de Deus.
Vejamos então que existem três eixos fundamentais nesta Missão, o DISCIPULADO, PENTECOSTES E EVANGELIZAÇAO. Estes temas, trabalhados no 3º Congresso Missionário Americano, em agosto passado, sob a temática: AMÉRICA COM CRISTO: ESCUTA, APRENDE E ANUNCIA, nos levou ao centro do Planeta (Equador), para viver esta grande celebração Pentecostal, e este grande envio missionário. São eixos que sendo antigos e essenciais a Igreja, continuam sendo atuais dentro da pedagogia de Deus, chamados a novas expressões.
Com isso, à espera da “Promessa de Deus”, (Cf At 1,8), hoje também o Espírito de Deus enche a terra e a Igreja e renova o rosto das pessoas. Cremos nesta nova vinda do Espírito, sobre nossas crianças, jovens e idosos, e por isso, cremos na renovação desta mesma Igreja e da humanidade inteira. É a hora de atrever-se a estar em todos os lugares de nossa sociedade e aí, participando de suas dores e alegrias ser levados ao testemunho, pelo Espírito, de um coração que ama apaixonadamente ao Mestre – Jesus Cristo.
Enfim, temos a missão, de permitir a Deus que mude o nosso rosto, renove as nossas estruturas para assim vivermos juntos, como igreja paroquial, um novo ardor, um novo impulso pastoral e missionário. Renovemos nosso coração, e permitamos que o espírito realmente nos convença de nossa missão e vocação, por isso batizado, COM CRISTO: ESCUTA, APRENDE E ANUNCIA.